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trabalho realizado por:

Vítor Fragoso (ismai)

Contacto:

psicoforum@portugalmail.com

 

O Cérebro e as Drogas

Introdução:

 

            É um facto que as drogas constituem um problema enorme, cuja gravidade é cada vez mais reconhecida. Existem no mundo milhões de toxicómanos que abusam de toda a espécie de drogas. Essas pessoas prejudicam a sua saúde o seu bem estar e comprometem a possibilidade de terem uma vida feliz. Por outro lado são um numero de biliões as pessoas que sofrem em consequência das drogas; as famílias dos toxicómanos e a sociedade em geral.

O abuso das drogas e o tráfico ilícito de estupefacientes estão entre os problemas mais graves que o mundo de hoje tem que enfrentar.

O fenómeno da toxicodependência é extremamente complexo, cujas raízes devem ser encontradas na intrincada relação  de aspectos sociais, culturais e filosóficos que representam a própria essência humana. Assim  sendo, o problema não pode ser analisado de forma compartimentalizada, mas, ao contrário receber um tratamento global.

Foi devido aos factores apresentados que me propôs realizar um trabalho abordando o fenómeno da droga ( "O Cérebro e as Drogas" ), com o objectivo de melhor compreender as interacção das drogas no sistema nervoso e no comportamento humano.    

 

 

 

 Aspectos Históricos e Culturais do Consumo das Drogas

 

            O conhecimento de alguns aspectos históricos relacionados com o uso e consumo de substâncias toxicas, não tem mero interesse académico. Eles ajudam-nos a compreender, pelo menos em parte, hábitos, atitudes e normas culturais que prevaleceram em relação ao uso passado e actual de drogas.

Um ponto importante para a reflexão é que o hábito não nasceu de uma determinada cultura e nem é recente, em praticamente todas as culturas e povos encontraram-se referências ao uso esporádico de drogas, principalmente durante cerimonias religiosas. Nesta ultima circunstância, o consumo de drogas só era permitido ao xamã (líder religioso), que detinha a posse  da droga, o direito ao seu uso ou mesmo o segredo da sua obtenção. Acredita-se que o xamã usava a droga afim de obter um estado de dissolução da consciência (um estado alterado de consciência), que melhor lhe permitisse "invocar os espíritos".

Encarado sobre o prisma da Psicologia entende-se que neste estado de turvação da consciência o xamã tinha os seus sentidos apurados, e as suas fantasias poderiam fluir mais livremente, dando-lhe a sensação de uma real aproximação dos poderes das entidades divinas.

Este desejo de sair de si mesmo, de entrar no mundo do fantástico que parece transcender as limitações do seu próprio eu, de experimentar uma sensação de poder excepcional deve estar na raiz do impulso dos líderes religioso primitivos de usarem drogas para atingirem esses estados alterados. Como se sabe muitos destes líderes religiosos tronaram-se dependentes do uso e consumo de drogas, passando a consumi-las para além das cerimonias religiosas, usando os seus efeitos inebriantes para atingirem um status  social diferenciado, na medida em que os transtornos mentais associados ao consumo de drogas foram durante muito tempo e em diferentes culturas entendidos como sinal de possessão por uma entidade sobrenatural.

Em outras culturas, observa-se que o uso de drogas está também l vinculado a diversos tipos de cerimonias grupais. O álcool é o exemplo mais típico desta situação, mas outras drogas também eram usadas. Entre os índios mexicanos, a mescalina e o peiote eram usados por diversos membros da comunidade tribal durante as festas, fossem elas de cariz religioso ou não. Nestes casos pode-se compreender que a droga actuava como um factor facilitador da coesão grupal e social, inebriados pela droga os integrantes do grupo tornavam-se mais alegres e sociáveis, facilitando e favorecendo a sua participação nas actividades festivas do grupo. É este, provavelmente, o traço cultural observado com mais frequência ao longo dos tempos. Diferentemente do feiticeiro que consumia drogas para  mistificar a sua imagem e vivênciar um momento de proximidade com as suas entidades divinas, numa festa os indivíduos ingerem drogas simplesmente para relaxar sua censura e integrar-se aos sentimentos alegres do grupo.

Creio que o alcoolismo sempre foi um exemplo característico a ilustrar esta realidade. Como toxico muito difundido, o seu uso tem sido desde sempre bem tolerado, em situações que a sociedade rotulou como permissíveis. É raro encontrar um grupo cultural onde não se observe o uso do álcool em diversos tipos de comemorações. A sua imagem está mesmo, ligada à ideia de lazer em grupo. Por outro lado o abuso de bebidas alcoólicas é condenado socialmente. No entanto, em que pese sua virulência relativamente baixa, é grande o número de pessoas que passa a fazer uso exagerado de bebidas alcoólicas, como forma de aliviar a sua ansiedade ou, enfim, escapar a uma realidade que se lhes afigura desesperosa.

A história mais recente mostra que as reacções da sociedade face ao uso de drogas, são muitas vezes ambíguas, quando não incoerentes, visto que a sociedade está cada vez melhor e mais informada, acerca dos malefícios provocados pelas drogas, mas parece continuar a crer ignorar as consequências do consumo e abuso das mesmas.                           

 


 

Dependência Física e Dependência Psíquica

Dependência física:

Algumas drogas podem causar um estado de dependência física, situação em que, se ocorrer uma privação, o organismo desenvolverá uma reacção característica conhecida como "síndrome de abstinência". A dependência física resulta de um processo de adaptação do organismo à droga e independente da vontade do indivíduo.

As síndromes de abstinência a algumas drogas são muito características, como no caso do álcool e da morfina e seus derivados. A abstinência do álcool provoca ansiedade, alterações cardiovasculares e tremores grosseiros das mãos e da língua.

Em estádios mais avançados de dependência pode desencadear um estado de confessional onírico (Delirium tremens), onde, além dos sinais anteriormente descritos, aparecem alucinações; visuais, auditivas ou tácteis, febre colapso cardiocirculatório, podendo mesmo resultar na morte do indivíduo. Na síndrome de abstinência morfínica, aparecem, a ansiedade, dores generalizadas, insónias, suderose, pupilas dilatadas, vómitos e diarreia, febre e alterações cardiovasculares graves.

Face a drogas que provocam dependência física é necessário que durante o tratamento de desintoxicação se mantenha a droga em doses decrescentes por alguns dias, ou que se administre outra droga similar a fim de evitar o aparecimento do símdrome de abstinência.

Por analogia à terminologia empregada em bacteriologia, chama-se de  virlurência ao poder que a droga tem de causar dependência física. A morfina seria a droga de maior virulência. De forma geral, todos os opiáceos ( morfina e seus derivados sintéticos, o ópio e as heroína ), têm grande virulência. A virulência do álcool é bem mais baixa do que a observada entre os opiáceos, mas não é nigligênciável, não é raro observar situações de pessoas que têm o hábito "cultural" de ingerir quantidades moderadas de álcool diariamente, que mais tarde acabam por desenvolver  um estado de dependência física, mesmo na ausência de dependência psíquica.

  Se bem que a dependência física e a psíquica possam ser compreendidas como fenómenos distintos, em geral a primeira faz-se acompanhar da última. E não resta dúvida que a dependência física  representa um obstáculo ao tratamento da dependência psíquica, agindo como um reforço para esta última. Veja-se o esforço para abandonar o vício, não consegue ultrapassar o primeiro dia de abstinência.

Dependência psíquica:

Trata-se de uma situação em que existe um impulso muito forte, que exige a administração de droga para produzir prazer ou evitar mal-estar. Seguramente, é o aspecto mais importante a ser considerado em todos os casos de toxicodependência. A dependência psíquica indica a existência de alterações da personalidade que conduzem ou favorecem a aquisição ou manutenção do hábito.

Quando existe dependência psíquica sem dependência física, o símdrome de abstinência é menos grave e menos característico. Os sintomas mais característicos são a ansiedade, os tremores, as palpitações e a sensação de mal-estar. Outros sintomas também podem aparecer, mas os riscos de aparecimento de problemas cardiovasculares são menores, e a probabilidade de morte é muito pequena, excepto, é claro, se em decorrência de ansiedade o indivíduo tentar contra a própria vida.

A dependência psíquica pode ser observada em relação a todos os tipos de drogas. Desde o simples hábito de tomar café ao uso de analgésicos e calmantes, do cigarro e das restantes drogas, observa-se que há pessoas transpõem a barreira do prazer de se administrar esporadicamente um tóxico para se cair no estado de dependência, por exemplo: uma mulher que não consegue dormir sem tomar um comprimido, mesmo que seja um placebo, sabe avaliar o sofrimento que a dependência física acarreta. Da mesma forma que um viciado em cocaína fará tudo para obter a droga que necessita, mesmo que para isso tenha que recorrer à criminalidade, para satisfazer o seu impulso de consumo de droga.                    

 

 

Tolerância e Tolerância Cruzada

 

Uma das formas de defesa do organismo face à acção das drogas é o mecanismo de tolerância. Ela significa que com o passar do tempo o uso regular de uma droga nas mesmas doses produz um efeito cada vez menor sobre o organismo, ou seja passa a haver necessidade de doses cada vez maiores para se obter o mesmo efeito.

O fenómeno de tolerância é responsável pela necessidade, tão frequente, que os viciados têm de administrar doses crescentes do tóxico.

Na tolerância cruzada ocorre que o uso continuado de uma droga leva ao estabelecimento de tolerância não somente em relação a ela mas, também, em relação a outras drogas similares ou não.

A tolerância e a tolerância cruzada são usualmente observadas em relação a quase todas as drogas que causam dependência. O álcool, os barbitúricos, os opiáceos e as anfetaminas provocam tolerância em maior ou menor grau. Com o álcool e barbitúricos ocorre tolerância cruzada bem como em diversos opiáceos.     

     

   A Droga e os Neurónios

 

  Como agem as drogas no nosso organismo? É o que me proponho responder na elaboração deste trabalho.

As drogas introduzem-se no nosso organismo a partir da sua acção em certas células provocando efeitos fisiológicos e psíquicos, a maior parte das vezes nefastos para a saúde de quem as consome. 

Estes efeitos são dominados por certos produtos (opiácios principalmente), pela criação mais ou menos rápida de uma irreprimível necessidade de consumir sempre (é a dependência), e sempre mais (é a tolerância ou habituação), da substância, não para reencontrar as sensações conhecidas, mas, para evitar a intensa doença que acompanha a sua privação, o símdrome de abstinência ("ressaca").

 

Os neurotransmissores, receptores e a neurotransmissão:

 

A descoberta da implicação de produtos químicos fabricados pelo organismo, os neurotransmissores, no processo de transferência de informação entre células nervosas (neurónios), é uma das aquisições mais fecunda da farmacologia contemporânea.

Um primeiro grupo de neurotransmissores foi chamado de neuromediadores. Os neuromediadores transmitem o influxo eléctrico de um neurónio para o outro. As primeiras moléculas identificadas, no princípio do século XX, foram a acetilcolina e a adrenalina, outras foram isoladas entre 1930 e1960, que se tratava monoaminos (dopamina, adrenalina, noradrenalina, serotomina, histamina), ou de ácidos aminados (glicina, GABA, etc.). O seu papel na neurotransmissão não tardou a ser reconhecido.

  Trata-se de produtos indispensáveis para o funcionamento dos neurónios, principalmente dos que pertencem ao sistema nervoso central.

Os neurotransmissores concentram-se na terminação nervosa, no termo da síntese que os produz e que está localizada no próprio neurónio.

No princípio dos anos 70, os bioquímicos descobriram um segundo grupo de neurotransmissores, que não têm nada a ver sobre o plano químico com os precedentes, os neuropéptidos. Trata-se de pequenos encadeamentos de aminoácidos (péptidos). Estes são igualmente produzidos pelos neurónios.

A semelhança é aqui radicalmente diferente pois que o neurónio não deve ser visto sob o único aspecto da transmissão de um influxo nervoso, mas sob o da produção de um "mensageiro" susceptível de agir para lá do espaço sináptico, daí a produção de uma verdadeira hormona. 

Os neurótransmissores e os  neuropéptidos foram isolados; a maioria muitas vezes localizados num mesmo neurónio: os dois sistemas desempenham provavelmente um papel complementar.

  O rendilhado neuronal

O rendilhado neuronal é de extraordinária complexidade. Cada  uma das células emite um ou dois longos prolongamentos, os axónios. Estes axónios permitem  a progressão do influxo nervoso transmitido a outros neurónios ou às fibras musculares graças às junções específicas, as sinapses  axo-dendríticas. O influxo chega então ao corpo celular do neurónio seguindo pelas ramificações  mais curtas, formando muitas vezes uma arborescência muito densa, os dendritos.

 

  Drogas biológicas:

 

Em 1973, três equipas dos EUA e uma da Suécia (as de E.J Simon e de S.H. Snyder dos EUA e a de L. Terenius na Suécia), provaram a existência  de uma forte  e especifica ligação entre certos opiácios e certas estruturas da membrana de diversas células, conhecidas em zonas do cérebro por induzir uma resposta à acção da morfina, estavam descobertos os receptores para os opiácios.

Com isto supõe-se que existem naturalmente moléculas aptas a interagir com receptores. As investigações permitiram isolar em 1975 dois pequenos péptidos, baptizados encefalinas. Estes produtos portanto diferentes dos morfínicos na sua estrutura química, adoptam no espaço uma forma análoga à dos opiácios, isto explica que os sítios de fixação celulares sejam idênticos.

Este grupo (as encefalinas), é constituído por péptidos (endorfinas e endomorfinas), cujo papel principal é controlar a dor.

As zonas do cérebro particularmente ricas em receptores aos opiácios são os corpos estriados e o hipocampo, o sistema límbico em geral, o hipotálamo e a hipófise.

Encontramos também receptores aos opiácios nos tecidos periféricos, por exemplo a nível intestinal, razão da diminuição das contracções quando do uso de opiácios e da obstipação que se segue.

As relações entre os neuropéptidos e os neuromediadores são complexas. Existe uma interacção entre as endomorfinas e os neurónios produtores de dopamina e de noradrenalina, o que explica numerosos efeitos da morfina tanto sobre o psíquico (euforia, excitação), como sobre o físico. Isto explica também o interesse da administração de substâncias activas  sobre os receptores centrais da noadrenalina (chamados também noradrenégicos), quando da separação em opiácios.

Os receptores aos opiácios não são efectivamente senão uma família de receptores entre numerosos outros, existem de maneira similar, receptores capazes de fixar os tranquilizantes que tratam a epilepsia, o alucinogénios, os canabinoides, etc.         

 

  Os psicotrópicos e o psíquismo:

Como o nome indica, os psicotrópicos (substâncias que manifestam a sua acção essencialmente sobre a psique), fixam-se principalmente no cérebro, onde determinam efeitos psíquicos procurados pelos consumidores de droga, assim como manifestações paralelas indesejáveis em ambos os casos.

Todas as drogas interferem com a transmissão nervosa. A sua acção não é univoca, ela está implicada muitas vezes, directa ou indirectamente, em vários neurotransmissores situados em regiões mais ou menos específicas do cérebro.

 

Interacções mais importantes entre os principais psicotrópicos

Drogas

Principais sistemas de transmissores implicados

 

Tabaco

Noradrenalina, acetilcolina

Cannabis

Dopamina, noradrenalina, adrenalina, acetilcolina,

Serotonina, GABA

Alucinogénios

Serotonina, acetilcolina

Opiácios

Endomorfinas, dopamina

Álcool

GABA, dopamina, noradrenalina, endomorfina

Cocaína e

Psicoestimulantes

Mais importantes

Dopamina, noradrenalina

 

 

        O cérebro humano é o mais evoluído de todos. É constituído pela sobreposição de três estruturas correspondentes a níveis muito diferenciados de interacção e de transformação das informações. Duas estruturas estreitamente interconectadas, desempenham aqui um papel essencial permitindo ao indivíduo preservar as suas condições de existência no seu ambiente tanto exterior como interior; o hipotálamo, que controla controla o equilíbrio interior do nosso organismo, e o sistema límbico, que controla os fenómenos comportamentais, isto é nossos afectos e as nossas pulsões ( é o cérebro das emoções).                                

                         

   A acção dos opiácios sobre o locus coeruleus

  O locus coeruleus é um pequeno núcleo situado numa zona central do cérebro, constituído por neurónios noradrenégicos cujos axónios se prolongam nas numerosas áreas, principalmente para o sistema límbico. Este núcleo está ligado também ao hipotálamo, que desempenha um papel importante no controlo das emoções e das funções vegetativas (função cardiovascular, etc.). É hoje dado adquirido que a acção dos opiácios está largamente dependente da sua fixação sobre os receptores situados sobre os neurónios noradrenégicos do locus coeruleus.

 

          O hipotálamo exerce um papel de interface entre o sistema nervoso autónomo e o sistema nervoso consciente. Pelo sentido oblíquo das aferências religadas à hipófise, ele regula a actividade endócrina e principalmente a actividade sexual, a resposta ao stress, assim como as necessidades elementares tais como a fome, ou a sede. Participa também no controlo do processo imunitório e da diurese.

Algumas zonas do hipotálamo controlam as funções de despertar, enquanto que outras regulam o sono e a sedação. A acção divergente das drogas pode parcialmente explicar-se segundo o seu lugar de impacto no hipotálamo.

Se a transmissão noradrenégica domina neste último, encontramos aí igualmente neurónios dopaminérgicos, serotoninérgicos e GABAérgicos, assim como fortes concentrações em neuropéptidos.

O controlo da actividade autónoma explica que as drogas activas a este nível possam perturbar indirectamente a função cardiovascular (é o caso da cocaína e do cannabis). O mesmo se pode dizer para a regulação da temperatura corporal, os psicoestimulantes serão de preferência hipertermisantes (aumentando a temperatura), enquanto que os depressores do SNC serão hipermisantes (diminuindo-a).

O hipotálamo é o centro de controlo das emoções. Tendo cada indivíduo um poder emotivo muito próprio, é evidente que as reacções determinadas pelas drogas serão igualmente muito individualizadas.

                         

Acção das drogas no cérebro humano

Grandes zonas

do cérebro

Implicação no uso

de drogas

Neocortex (cérebro cognitivo)

Paleocortex

(s. límbico e hipotálamo)

Cérebro "reptiliano"

Acção psíquica

prazer e recompensa

overdose e toxicidade aguda

 

 

 

Algumas drogas (álcool, hipnóticos, cannabis), actuam também sobre o cerebelo, que regula o nosso equilíbrio e a coordenação dos movimentos.

Quando o consumo é puramente ocasional, "recreativo", a eliminação do produto pelo organismo restaura em geral todas as funções do cérebro. Em contrapartida, a utilização generalizada (crónica), leva muitas vezes a perturbações locais duradouras, estariam na origem de alterações materiais (vasoconstrição, ou perturbação do metabolismo glucídio alterando de maneira mais ou menos localizada as estruturas do cérebro). Por aí observamos como a acção das drogas, no que diz respeito à neurotransmissão, afecta vastas populações celulares ou zonas especificas do cérebro, conjunto do tratamento de informação nervosa.    

 

                            Principais acções farmacológicas dos opiácios

 

 

Os receptores aos opiácios estão espalhados no sistema nervoso central, assim como nos numerosos tecidos periféricos, daí a grande diversidade de efeitos. Todas estas  manifestações não aparecem de repente, depende da dose, da habituação e da molécula utilizada. Algumas tendem a esfumar-se com

o hábito (mioses, vasodilatação cutânea, acção analgésica) .   

 

 

 

O Efeito das Drogas Sobre a Sexualidade

 
Desde os tempos mais remotos que o Homem procura incessantemente substâncias que exerçam efeitos especiais sobre a sexualidade. Atribui-se este tipo de poderes a alimentos, plantas e inclusive às drogas puramente químicas, característica dos nossos dias. Já neste século o movimento hippy impôs o estandarte das drogas e do amor livre e, nos anos 80, surgiu o ectasy, outra droga de amor, assim denominada devido aos seus efeitos sobre a sexualidade.

Segundo o sexólogo David Delvin, (...)"um bom número de substâncias ilegais que actualmente se consomem de forma generalizada, estão em grande parte vulgarizadas porque nos ajudam a libertar das nossas inibições" (...).

Mas existem outros efeitos associados ao consumo das drogas; ser mais potente, sob o efeito das drogas, os homens sentem-se mais seguros e pensam que com certas substâncias como a cocaína terão uma erecção maior e também mais prolongada. Outro é solucionar disfunções, por exemplo quem sofre de ejaculação precoce por vezes consome cocaína para retardar o orgasmo podendo assim satisfazer a sua companheira. Mas muitas vezes a falta de excitação sexual aparece devido ao uso prolongado de drogas e alguns farmacos, assim nem tudo são vantagens.

Os sexólogos afirmam que, sob o efeito das drogas, as relações sexuais costumam ser mais rápidas e menos elaboradas. E quando se abusa de certas substâncias sobretudo do álcool, a desinibição é tal que se pode chegar a perder o controlo.

50 a 100% dos toxicodependentes são indivíduos com perda do desejo, dificuldade eréctil e ejaculação retardada.

 

 

O Cérebro as Drogas e a Sexualidade

 

       O Efeito das Diversas Drogas sobre a Sexualidade

 

 

Substâncias Alucinogénicas:

            Costumam aumentar a excitação sexual, já que favorecem o aparecimento de diferentes alucinações ópticas, tácteis, auditivas... mas estas sensações também podem provocar, em alguns casos experiências aterradoras.

 

ð     LSD: o seu princípio activo é uma síntese do ácido lisérgico, que modifica as funções de alguns neurotransmissores, alterando a percepção sensorial.

Efeitos Imediatos: a experiência costuma ser difusa e o orgasmo menos absorvente. No ambiente adequado, parece favorecer a relação sexual, ainda que a distorção da percepção que provoca induza a uma relação mais narcisista que interactiva.

A Longo Prazo: o uso contínuo pode provocar a diminuição do desejo e desejaculação, devido a prováveis alterações da seratonina que a acção deste ácido desencadeia.

 

Redutoras da excitação:

            Ainda que este tipo de drogas, ao eliminar em parte o controlo cerebral, ajudem a reduzir as inibições, também diminuem a actividade do organismo em geral, dificultando desta forma a resposta sexual durante as relações.

ð                  Cannabis: tanto a marijuana - folhas secas de cannabis - como o haxixe - resina da planta - aumentam as dopaminas.

          Efeitos Imediatos: facilita a desinibição ao relaxar o corpo e a mente. Em doses muito baixas tem efeitos euforizantes, o que aumentam o desejo sexual e também a sensibilidade táctil em todo o corpo.

A longo Prazo: reduz os níveis de testosterona e pode causar diminuição de espermatozoides, alterar o ciclo menstrual ou interferir com a ovulação, reduzir o desejo sexual e causar disfunção eréctil.

 

ð                 Opiácios: a heroína, a morfina, o ópio ou a metadona actuam sobre os receptores cerebrais, que comandam o efeito analgésico e que provocam prazer.

Efeitos Imediatos: nos homens pode atrasar a ejaculação e em algumas mulheres ajudar a desinibir e a relaxar.

A longo Prazo: o consumo crónico diminui o desejo sexual. Os homens são afectados por incapacidade de ejaculação e impotência. No caso das mulheres ocorre anorgasmia e ausência de menstruação.

 

ð                    Álcool: depressor do sistema nervoso que permite autonomia aos centros implicados nas emoções provocando desinbição.

Efeitos Imediatos: em doses baixas tem efeitos afrodisíacos e desinibe, mas em doses elevadas trava o processo de excitação.

A longo Prazo: o consumo prolongado pode bloquear de forma permanente a resposta sexual e provoca impotência.

 

Estimulantes ou activadoras:

            Inicialmente, facilitam a resposta sexual em pessoas com níveis de excitação baixos, mas podem Ter efeitos contrários em pessoas com níveis altos de actividade.

ð       Cocaína: aumenta a libertação de dopamina, estimulando desta forma o sistema nervoso central.

Efeitos Imediatos: em algumas pessoas pode aumentar o desejo, a duração das erecções e a intensidade do orgasmo e, em outras, inibir o impulso sexual.

A Longo prazo: um consumo elevado e prolongado pode provocar disfunções sexuais, além de resultar em infertilidade masculina e feminina.

ð        "SPEED": o princípio activo desta substância é o sulfato de anfetamina, que possui a capacidade de aumentar a libertação de dopamina no organismo.

Efeitos Imediatos: em dose menores, pode aumentar o desejo e facilitar o orgasmo, mas em doses elevadas elevadas dificulta o orgasmo.

A Longo Prazo: o uso contínuo parece provar diminuição do desejo. Nos homens, podem surgir dificuldades de erecção e de ejaculação (retrógada).

ð     "ECTASY": à base  de metilenedioximetanfetamina, provoca um aumento da libertação de derotonina.

Efeitos Imediatos: em pequenas doses aumenta o desejo de contacto físico e a libido, mas em quantidades elevadas provoca taquicardias.

A Longo Prazo: toxicidade neuronal, diminuição da libido e do rendimento sexual.

             

Conclusão:


O t O Tema Droga é sempre difícil de abordar, mas há que saber encara-lo como uma realidade, infelizmente assustadora dos nossos dias. Muitas pessoas preferem ignora-lo, mas há que discuti-lo e saber enfrenta-lo. Vivendo nós num mundo onde a solidão se encontra perdida no meio desta imensa multidão, torna-se difícil para muitos ultrapassarem os seus problemas, as suas dificuldades de adaptação à sociedade ( nesta enorme "aldeia global"), onde o individualismo é cada vez maior, em detrimento da inter-ajuda.

Por estas razões as pessoas recorrem cada vez mais às drogas como forma de escaparem a essa solidão, a esse sofrimento, que por vezes representa a realidade dos nossos dias.   

Após a realização deste trabalho, pode concluir-se que as drogas interferem gravemente no funcionamento do nosso sistema nervoso, podendo provocar lesões irreversíveis, alterando o nosso comportamento e a nossa personalidade. E que sem dúvida alguma o estudo da interacção das drogas com o sistema nervoso é bastante complexo.  

          Os esforços para tornar este trabalho sintético foram em vão, visto que, a base teórica é extremamente densa e alargada. Não abdicando do meu projecto inicial tentei tirar de toda a bibliografia, os pontos que considerei essenciais e indispensáveis para um bom desenvolvimento deste trabalho, contribuindo assim para uma melhor compreensão do tema proposto.

Apesar de não ter conseguido atingir o meu objectivo na integra, a realização deste trabalho foi deveras interessante e construtiva.

 

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