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A Inteligência Emocional

PARA DÚVIDAS - Contacto:

psicoforum@portugalmail.com

 

Trabalho Realizado por:

 Vítor Fragoso (ISMAI)

Liliana Vasconcelos (ISMAI)

Martina Ribeiro (ISMAI)

Paulo Matos (ISMAI)

Laurinda Santos(ISMAI)

ESTE TRABALHO FOI  REALIZADO NO 2º ANO NO ÂMBITO DA  DISCIPLINA DE - "PSICOLOGIA DAS EMOÇÕES E MOTIVAÇÕES"

 

Abstract:

    O tema do presente trabalho, intitula-se Inteligência Emocional, e foi nosso objectivo dissertar sobre o tema proposto. Para isso abordamos o tema nas suas diferentes vertentes, começando por aprofundar o conceito de estados afectivos, e a maneira como estes são percepcionados, compreendidos e interpretados pelo ser humano, para além da forma como estes se interrelacionam com as nossas emoções.

     Além disso achámos também importante destacar, que as estruturas anatomo-fisiológicas envolvidas com a emoção se interligam intimamente, e que nenhuma delas é exclusivamente responsável por este ou aquele tipo de estado emocional. No entanto, algumas contribuem mais do que outras para este ou aquele determinado tipo de emoção.

    No que respeita à inteligência emocional, são referidos dois tipos de inteligência pessoal: a inteligência interpessoal e intrapessoal, que vêm a constituir-se como a essência do conceito de inteligência emocional, tal como originalmente o definem Salovey e Mayer.

    Para finalizar abordamos duas vertentes, que nos parecem importantes no contexto da inteligência emocional(IE), a IE no trabalho e na saúde. No contexto do trabalho, além de termos de saber controlar as nossas emoções como as de terceiros, e de ser necessário haver uma estabilidade a nível do emprego, para que o desempenho e a produtividade no trabalho seja melhor. É necessário também adquirirmos  competência emocional e social.

    A nível da saúde as emoções mostram-se importantes visto que influem sobre a saúde e sobre a doença através de suas propriedades motivacionais, pela capacidade de modificar as condutas saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, o descanso, etc., conduzindo muitas vezes para condutas não saudáveis, como o abuso do álcool, tabaco, sedentarismo entre outros factores.

Palavras chave: Inteligência, emoções, interpessoal, intrapessoal, saúde.

 

Introdução:

Medir um constructo teórico como a Inteligência Emocional (IE) é tanto uma arte como uma ciência, em que a IE é uma meta-habilidade que se encontra latente no sujeito, logo não é algo directamente observável, a menos que a resposta se produza ou não, dependendo de uma determinada situação. (Navas, Bozal, Alba, Lloret, 2000)

            No que respeita à Inteligência, em geral, trata-se de um constructo psicológico que ainda não terminou de assentar-se com as novas propostas realizadas. (Navas, Bozal, Alba, Lloret, 2000)

            A IE, apesar de ser um conceito actual, tem como parecer um claro percursor do conceito de Inteligência Social de Thorndike (1920,cit. Navas, Bozal, Alba, Lloret,      2000 ) que a definiu como “ a habilidade para compreender e dirigir-se aos homens e mulheres, rapazes e raparigas, e actuar sabiamente nas relações humanas”.

            Segundo Sternberg (1997, Navas, Bozal Alba, Lloret, 2000) a ideia que temos actualmente de Inteligência é a capacidade de adaptação. É como se a ideia de globalização tivesse chegado a este campo de estudo da Psicologia, onde a Inteligência está muito vinculada com a emoção, a memória, o optimismo, a personalidade e em certo sentido com a saúde mental.

            O conceito de IE nasce com a necessidade de responder a uma questão que pode parecer simples: “Porque é que existem pessoas que se adaptam melhor que outras às diferentes contingências da vida?”. ( Navas, Bozal, Alba, Lloret, 2000)

            Sendo assim, o nosso trabalho debruçar-se-á sobre os estados afectivos, onde se faz uma distinção entre afecto, emoção e sentimento. Também refere as estruturas cerebrais implicadas na formação das emoções, isto é, mostrar que há uma interligação entre as várias estruturas, contudo nenhuma delas é a principal responsável por este ou aquele estado emocional. O que acontece é que algumas contribuem de forma mais importante que outras para determinada emoção.

            Seguidamente, é referida a Natureza da Inteligência Humana, ou seja, o que significa ser inteligentemente emocional segundo alguns autores; como nos devemos afastar de certos estados de espírito.

   É referido ainda neste trabalho a IE na Saúde e a IE no trabalho ,isto é, de que maneira a saúde e o trabalho podem-se relacionar com a inteligência emocional.

 

Os Estados Afectivos

            Para falar de Inteligência emocional e Psicologia emocional, teremos necessariamente de falar sobre os estados afectivos e da maneira como estes são percepcionados, compreendidos e interpretados pelo ser humano, além é claro da forma como estes se interrelacionam com as nossas emoções.

            Segundo um artigo publicado na revista Cérebro e Mente, por Júlio Amaral e Jorge de Oliveira (1998), estes autores defendem que os estados afectivos dos seres humanos se diferenciam em relação aos restantes seres vivos devido a uma “(...) intensa malha de conexões entre a área pré-frontal e as estruturas límbicas tradicionais, a espécie humana é aquela que apresenta a maior variedade de sentimentos e emoções(...) e quanto mais evoluído é o mamífero, mais acentuados são os seus comportamentos. Já a ablação de partes importantes do sistema límbico (as experiências foram feitas com hamsters) faz com que o animal perca tanto a afectividade maternal quanto o interesse lúdico(...)

(Amaral, J. Oliveira, J. 1998)  in  revista , Cérebro e Mente.

           Neste pequeno excerto do referido artigo denota-se de uma forma bastante evidente a importância das estruturas límbicas, no que diz respeito aos estados afectivos.

            Ao longo da evolução da Humanidade tem se assistido à tentativa de definição dos estados afectivos, emocionais e das próprias sensações. O ser Humano sempre procurou descrever e compreender o significado de tais estádios, que por vezes se lhe apresentavam como sendo complexos e confusos, e que foi ainda segundo os mesmos autores devido ao desenvolvimento da linguagem que “nomes foram atribuídos a essas e a outras sensações, permitindo sua delimitação e explicitação a outros membros do grupo. Porém, até hoje, dada a existência de um componente subjectivo importante, difícil de ser comunicado, não existe uniformidade quanto a melhor terminologia a ser empregada para designar essas sensações. Assim é que utiliza-se, de maneira imprecisa e intercambiável, quase como sinónimos, os termos afecto, emoção e sentimento. Entretanto, assim pensamos, a cada uma dessas palavras deve ser atribuída uma definição precisa, em respeito à etimologia e às diferentes reacções físicas e mentais que produzem. Afecto (do Latim affectus, significando afligir, abalar, atingir) é definido por Aurélio como sendo "um conjunto de fenómenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos ou paixões, acompanhadas sempre da impressão de prazer ou dor, de satisfação ou insatisfação, agrado ou desagrado, alegria ou tristeza" , Curiosamente, existe uma tendência universal para só considerar como afecto (e seus derivados, afectividade, afeição, etc.) as impressões positivas.

Assim, ao se dizer "sinto afecto por fulana" estou manifestando amor ou carinho; nunca raiva ou medo. Já em relação às emoções e sentimentos, o uso se aplica nos dois sentidos : "ela tem bons sentimentos; eu tenho sentido emoções desagradáveis." No dizer de Nobre de Melo, os afectos designam, genericamente, situações vivenciadas, sob a forma de emoções ou de sentimentos. Emoções (do Latim emovere, significando movimentar, deslocar) são, como sua própria etmologia sugere, reacções manifestas frente àquelas condições afectivas que, pela sua intensidade, mobilizam-nos para algum tipo de acção(...)podemos dizer que as emoções se caracterizam por uma súbita ruptura do equilíbrio afectivo. Quase sempre são episódios de curta duração, com repercussões concomitantes ou consecutivas, leves ou intensas, sobre diversos órgãos, criando um bloqueio parcial ou total da capacidade de raciocinar com lógica. Isto pode levar a pessoa atingida a um alto grau de descontrole psíquico e comportamental. Por contraste, os sentimentos são tidos como estados afectivos mais duráveis, causadores de vivências menos intensas, com menor repercussão sobre as funções orgânicas e menor interferência com a razão e o comportamento. Exemplificando : amor, medo e ódio são sentimentos; paixão, pavor e cólera (ou ira) são emoções".

  (Amaral, J. Oliveira, J. 1998)  in  revista , Cérebro e Mente.

 

           Depois desta abordagem do que são os estados afectivos, como evoluíram e a forma como se relacionam com as nossas emoções, parece-nos agora importante aprofundar determinadas noções anatomo-fisiológicas relacionadas com a formação das nossas emoções, com vista a uma melhor compreensão do tema proposto.

 

 

As Estruturas Cerebrais Implicadas na Formação das Emoções

 

Falar de Psicologia Emocional e Inteligência emocional, implica necessariamente falar das estruturas cerebrais implicadas na formação das emoções.

Nesse sentido é importante destacar que as estruturas envolvidas com a emoção se interligam intimamente e que nenhuma delas é exclusivamente responsável por este ou aquele tipo de estado emocional. No entanto, algumas contribuem mais que outras para este ou aquele determinado tipo de emoção Assim, veremos, uma a uma, aquelas sobre as quais mais se conhece.

[1]Amígdala (Amaral, J. Oliveira, J.1998)é uma pequena estrutura em forma de amêndoa, situada dentro da região antero-inferior do lobo temporal, que se interconecta com o hipocampo, os núcleos septais, a área pré-frontal e o núcleo dorso-medial do tálamo. Essas conexões garantem o seu importante desempenho na mediação e controle das actividades emocionais de ordem maior, como amizade, amor e afeição, nas exteriorizações do humor e, principalmente, nos estados de medo e ira e na agressividade. A amígdala é fundamental para a auto-preservação, por ser o centro identificador do perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o animal em situação de alerta, aprontando-se para se evadir ou lutar. A destruição experimental das amígdalas ( são duas, uma para cada um dos hemisférios cerebrais) faz com que o animal se torne dócil, sexualmente indiscriminativo, afectivamente descaracterizado e indiferente às situações de risco. O estímulo eléctrico dessas estruturas provoca crises de violenta agressividade. Em humanos, a lesão da amígdala faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afectivo da percepção de uma informação vinda de fora, como a visão de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão.

Ainda acerca da amígdala Daniel Goleman (2000) refere citando LeDoux, que as suas pesquisas explicam como a amígdala pode assumir o controlo daquilo que fazemos enquanto o cérebro pensante, o neocórtex, está ainda a procurar chegar a uma decisão. Visto que o funcionamento da amígdala e as suas interaccões com o neocórtex estão no cerne da inteligência e Psicologia emocional.

Damásio (2000) reforça ainda mais estas ideias a respeito da amígdala, afirmando que ela é o centro impulsionador das emoções,  é ela quem dá o alarme às principais zonas do córtex que controlam as respostas fisiológicas e emocionais do nosso corpo, determinando uma imagem ou percepção dos estados emocionais, que por sua vez provocam diversas sensações, tais como, o medo, cólera, felicidade, a tristeza etc. A amígdala  pode se dizer que funciona como “sentinela psicológica”, funcionando também como armazém dos nossos estados emocionais.    

[2]Hipocampo (Amaral, J. Oliveira, J. 1998)  - Está particularmente envolvido com os fenómenos de memória, em especial com a formação da chamada memória de longa duração (aquela que persiste, as vezes, para sempre). Quando ambos os hipocampos ( direito e esquerdo) são destruídos, nada mais é gravado na memória. O indivíduo esquece, rapidamente, a mensagem recém recebida. Um hipocampo intacto possibilita ao animal comparar as condições de uma ameaça actual com experiências passadas similares, permitindo-lhe, assim, escolher qual a melhor opção a ser tomada para garantir sua preservação.

[3]Tálamo  (Amaral, J. Oliveira, J. 1998)  - Lesões ou estimulações do núcleo dorso-medial e dos núcleos anteriores do tálamo estão correlacionadas com alterações da reactividade emocional, no homem e nos animais. No entanto, a importância desses núcleos na regulação do comportamento emocional possivelmente decorre, não de uma actividade própria, mas das conexões com outras estruturas do sistema límbico. O núcleo dorso-medial conecta com as estruturas corticais da área pré-frontal e com o hipotálamo. Os núcleos anteriores ligam-se aos corpos mamilares no hipotálamo ( e, através destes, via fornix, com o hipocampo) e ao giro cingulado, fazendo, assim, parte do circuito de Papez.

  [4]Hipotálamo  (Amaral, J. Oliveira, J. 1998)  - Esta estrutura tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o mesencéfalo. Lesão dos núcleos hipotalámicos interferem com diversas funções vegetativas e com alguns dos chamados comportamentos motivados, como regulação térmica, sexualidade, combatividade, fome e sede. Aceita-se que o hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções.

Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e `a tendência ao riso (gargalhada) incontrolavel. De um modo geral, contudo, a participação do hipotálamo é menor na génese do que na expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais. Quando os sintomas físicos da emoção aparecem, a ameaça que produzem, retorna, via hipotálamo, aos centros límbicos e, destes, aos núcleos pré-frontais, aumentando, por um mecanismo de "feed-back" negativo, a ansiedade, podendo até chegar a gerar um estado de pânico. O conhecimento desse fenómeno tem importante sentido prático, dos pontos de vista clínico e terapêutico.

            [5]Giro Cingulado  (Amaral, J. Oliveira, J. 1998)   - Situado na face medial do cérebro, entre o sulco cingulado e o corpo caloso (principal feixe nervoso ligando os dois hemisférios cerebrais). Há ainda muito por conhecer a respeito desse giro, mas sabe-se que a sua porção frontal coordena odores, e visões com memórias agradáveis de emoções anteriores. Esta região participa ainda, da reacção emocional à dor e da regulação do comportamento agressivo. A ablação do giro cingulado (cingulectomia) em animais selvagens, domestica-os totalmente. A simples secção de um feixe desse giro (cingulotomia), interrompendo a comunicação neural do circuito de Papez, reduz o nível de depressão e de ansiedade preexistentes .

            [6]Tronco Cerebral  (Amaral, J. Oliveira, J. 1998)  - O tronco cerebral é a região responsável pelas "reacções emocionais", na verdade, apenas respostas reflexas, de vertebrados inferiores, como os répteis e os anfíbios. As estruturas envolvidas são a formação reticular e o locus cérulus, uma massa concentrada de neurónios secretores de nor-epinefrina. É importante assinalar que, até mesmo em humanos, essas primitivas estruturas continuam participando, não só dos mecanismos de alerta, vitais para a sobrevivência, mas também da manutenção do ciclo vigília-sono.

Outras estruturas do tronco cerebral, os núcleos dos pares cranianos, estimuladas por impulsos provenientes do córtex e do estriado (uma formação subcortical), respondem pelas alterações fisionómicas dos estados afectivos : expressões de raiva, alegria, tristeza, ternura, etc.

[7]Área Ventral  (Amaral, J. Oliveira, J.1998)   - Na parte mesencefálica (superior) do tronco cerebral existe um grupo compacto de neurónios secretores de dopamina - área segmental ventral - cujos axónios vão terminar no núcleo accumbens, (via dopaminérgica mesolímbica). A descarga espontânea ou a estimulação eléctrica dos neurónios desta última região produzem sensações de prazer, algumas delas similares ao orgasmo. Indivíduos que apresentam, por defeito genético, redução no número de receptores das células neurais dessa área, tornam-se incapazes de se sentirem recompensados pelas satisfações comuns da vida e buscam alternativas de prazer atípicas e nocivas como, por exemplo, alcoolismo, cocainomania, compulsividade por alimentos doces e pelo jogo desenfreado.

[8]Septo  (Amaral, J. Oliveira, J. 1998)  - Anteriormente ao tálamo, situa-se a área septal, onde estão localizados os centros do orgasmo (quatro para a mulher e um para o homem). Certamente por isto, esta região se relaciona com as sensações de prazer, mormente aquelas associadas às experiências sexuais.

[9]Área Pré-Frontal  (Amaral, J. Oliveira, J. 1998)  - A área pré-frontal compreende toda a região anterior não motora do lobo frontal. Ela se desenvolveu muito, durante a evolução dos mamíferos, sendo particularmente extensa no homem e em algumas espécies de golfinhos. Não faz parte do circuito límbico tradicional, mas suas intensas conexões bidireccionais com o tálamo, amígdala e outras estruturas sub-corticais, explicam o importante papel que desempenha na génese e, especialmente, na expressão dos estados afectivos. Quando o córtex pré-frontal é lesado, o indivíduo perde o senso de suas responsabilidades sociais, bem como a capacidade de concentração e de abstracção. Em alguns casos, a pessoa, conquanto mantendo intactas a consciência e algumas funções cognitivas, como a linguagem, já não consegue resolver problemas, mesmo os mais elementares. Quando se praticava a lobotomia pré-frontal, para tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, os pacientes entravam em estado de "obstrução afectiva", não mais evidenciando quaisquer sinais de alegria, tristeza, esperança ou desesperança. Em suas palavras ou atitudes não mais se vislumbravam quaisquer resquícios de afectividade.  

 

A Natureza da Inteligência Humana

 

O  que permite distinguir pessoas que com um QI elevado falham frequentemente, enquanto outras com um QI modesto se portam surpreendentemente, será aquilo a que se chama inteligência emocional, que inclui o  auto-controlo, o zelo, a persistência e a capacidade de nós próprios nos motivarmos. Através da inteligência emocional, tentamos compreender o  que significa trazer inteligência à emoção e como fazê-lo.(Goleman,1995)

Durante a vida académica, o facto de existirem muitas pessoas com um alto QI elevado, não as impede de cometer actos irracionais, pelo simples facto de que a inteligência académica tem pouco a ver com a vida emocional. As pessoas que possuem um QI elevado podem, no que respeita às suas vidas particulares, serem péssimos pilotos. Porém, em regra geral muitas pessoas com um QI baixo acabam por desempenhar funções subalternas, enquanto que as que têm um QI elevado tendem a ser mais bem pagas, mas nem sempre.

Para além disto existem outras características, que se podem resumir na inteligência emocional, como, a capacidade de a pessoa se motivar a si mesma, sendo persistente, apesar das frustrações; de controlar os impulsos e adiar a recompensa; de regular o seu próprio estado de espírito e impedir que o desânimo impeça a faculdade de pensar; de sentir empatia e de ter esperança.(Goleman, 1995)

            Segundo Arnold (1992, cit. Goleman, 1995) “... saber que alguém faz parte do grupo dos melhores alunos só nos diz que essa pessoa é excelente no desempenho de certas tarefas que são medidas por notas. Nada nos diz a respeito como reage às vicissitudes da vida”. (pág..56)

Apesar de QI elevado não ser garantia de prosperidade, prestigio ou vencer na vida, o facto é que as escolas e a própria cultura fixam-se nas capacidades académicas, ignorando assim a inteligência emocional, que engloba um conjunto de características fundamentais para o nosso destino pessoal. Várias provas testemunham que as pessoas que conhecem e controlam os seus próprios sentimentos e sabem também reconhecer e lidar perfeitamente com os sentimentos dos outros, levam vantagem em todos os domínios da vida, porém aqueles que não conseguem obter um determinado controlo sobre as suas vidas emocionais travam constantemente batalhas intimas que os impede de produzir trabalho continuado e pensamentos claros.(Goleman, 1995)

            Segundo Gardner (1986, cit. Goleman, 1995) “... a contribuição mais importante que a escola pode fazer para o desenvolvimento de uma criança, é ajudar a encaminhá-la para a área onde os seus talentos lhe sejam mais úteis, onde se sinta satisfeita e competente.” (pág.57)

A educação deve alimentar em vez de ignorar ou até frustrar os talentos. Ao encorajar a  criança  a desenvolver todo o tipo de capacidades a que um dia recorrerá para ter sucesso, ou que utilizará para se realizar naquilo que fizer, a escola transforma-se numa educação da arte de viver. Em 1983, Gardner publica “ Frames of Mind”, onde tem visão de inteligência múltipla, cujo modelo vai para além do conceito padrão de QI como um factor único e imutável. Desta maneira Gardner sustem que possuímos 7 tipos de inteligência distintas, cada uma delas relativamente independentes das outras- Inteligência musical; Inteligência cinestésica – corporal; Inteligência lógico-matemática; Inteligência linguistica; Inteligência intrapessoal[1] e Inteligência Interpessoal[2]. (Goleman, 1995)

            A respeito das inteligências pessoais, segundo Gardner (1993, cit. Goleman, 1995) “ A inteligência interpessoal é a capacidade de compreender as outras pessoas; o que é que as motiva, como é que funcionam, como trabalhar cooperativamente com elas. Os vendedores, políticos, professores, clínicos e líderes religiosos bem sucedidos terão tendência para ser pessoas possuidoras de um elevado nível de inteligência interpessoal. A inteligência intrapessoal (...) é uma capacidade correlativa, voltada para dentro. É a capacidade de criarmos um modelo correcto e verídico de nós mesmos e de usar esse modelo para funcionar eficazmente na vida”. (pág.59)

        A visão de Gardner a respeito destas inteligências põe a tónica na cognição, isto é, a compreensão de nós mesmos e dos outros em termos de motivos, de hábitos de trabalho e na interiorização desse conhecimento na condução da nossa vida e das relações que temos com os outros. No seu trabalho Gardner concentra-se mais na cognição dos sentimentos, do que no papel das sensações nessas inteligências. Contudo, Gardner sabe bem a importância que as capacidades emocionais e de relacionamento têm nos altos e baixos da vida. (Goleman, 1995)

           Estas características nucleares da inteligência pessoal vêm a constituir-se afinal como a essência em si do conceito de inteligência emocional tal como originalmente o definem Salovey e Mayer (1990, cit.Veríssimo,2000): “capacidade de reconhecer as emoções e os sentimentos pessoais e dos outros, de os discriminar, e de usar esta informação para orientar o seu modo de pensar e agir”. (pág.30)

Salovey e Mayer (1990, cit. Veríssimo, 2000) referem que “ os processos subjacentes à inteligência emocional são desencadeados quando informações impregnadas de afecto acedem inicialmente ao sistema perceptivo.” (pág.31)

Segundo  Salovey, & Mayer, (1990, cit.Lewis, Havinland, Jones,2000) “ as competências emocionais são fundamentais para uma inteligência social. Isto porque, situações e dificuldades sociais estão muito ligadas a uma componente afectiva. Além disso as competências sociais não só se manifestam nas experiências sociais como também nas experiências com o indivíduo.” (pág.504)

A seguinte tabela apresenta um modelo por quatro campos, cada um representando um grupo de características ordenadas hierarquicamente  segundo a sua complexidade.

 

Inteligência Emocional

Percepção e expressão da emoção

·         Capacidade para identificar emoções tanto a nível físico como psicológico

·         Capacidade para identificar emoções noutras pessoas e objectos

·         Capacidade para exprimir emoções correspondentes e exprimir necessidades relacionadas com essas emoções

·         Capacidade para discriminar expressões emocionais, honestidade desonestidade

 

Facilidade emocional de pensamento

·         Capacidade para redireccionar e analisar a prioridade dos seus pensamento baseados em sentimentos associados a objectos, acontecimentos  e a outras pessoas.

·         Capacidade de gerar emoções que facilitam julgamentos e recordações associadas a sentimentos

·         Capacidade para capitalizar mudanças de espirito para se poder  integrar em múltiplos pontos de vista, assumindo diferentes perspectivas.

·         Capacidade para utilizar os estados emocionais para facilitar a resolução de problemas e na criatividade.

 

Compreender e analisar informação emocional; emprego do conhecimento emocional

·         Capacidade de compreender como diferentes emoções estão relacionadas

·         Capacidade de perceber as causas e consequências das emoções

·         Capacidade de interpretar emoções complexas tal como estados emocionais contraditórios

·         Capacidade para compreender e prever transições entre emoções

 

Regulação da emoção

·         Capacidade de gerir tanto emoções agradáveis como também desagradáveis

·         Capacidade de reflectir sobre as emoções

·         Capacidade de se envolver, prolongar ou desligar de um determinado estado emocional

·         Capacidade de gerir as suas emoções

 

Tabela adaptada de Mayer & Salovey (1997, cit Lewis, Havinland, Jones,2000)

 

            Este conceito de inteligência emocional proposto por Salovey e Mayer inclui o facto de que são meta-habilidades que podem der categorizadas em cinco competências ou dimensões

1-      Conhecer as nossas próprias emoções. A autoconsciência é a pedra-base da inteligência emocional. As pessoas que têm uma maior certeza acerca dos seus sentimentos governam melhor as suas vidas, tendo uma maior certeza e segurança das decisões que tomam.

2- Gerir as emoções. Lidar com as sensações de modo apropriado é uma capacidade que nasce do auto-conhecimento. As pessoas a quem falta esta capacidade estão em constante luta com sensações de angústia, enquanto que aquelas que a possuem, recuperam mais facilmente dos tombos da vida.

3- Motivarmo-nos a nós mesmos. Mobilizar as emoções ao serviço de um objectivo é essencial para concentrar a atenção, para a automotivação, para a competência e para a criatividade. O auto-controlo emocional está subjacente a todo o tipo de realizações.

4-Reconhecer as emoções dos outros. A empatia, que também nasce da autoconsciência é a mais fundamental das “aptidões pessoais”. As pessoas empáticas são mais sensíveis àquilo que as outras pessoas necessitam ou desejam, tornado-as aptas em profissões que envolvam a prestação de cuidados, o ensino, as vendas e a gestão.

5- Gerir relacionamentos. A arte de nos relacionarmos é, em grande parte, a aptidão para gerir as emoções dos outros.

Apesar de referidas estas cinco dimensões, as pessoas diferem nas suas capacidades em cada um deles, pois alguns de nós poderão ser particularmente hábeis em controlar a sua própria ansiedade, mas incapazes de acalmar as perturbações de terceiros. A base subjacente ao nosso nível de aptidão é neuronal, contudo o  cérebro é notavelmente plástico, capaz de uma aprendizagem constante. (Goleman, 1995)

A injunção de Sócrates “ Conhece-te a ti mesmo” refere-se à inteligência emocional: a consciência dos nossos próprios sentimentos no momento em que ocorrem. Geralmente os psicólogos usam a palavra metacognição para significarem a consciência das próprias emoções, contudo Goleman prefere o  termo autoconsciência para reflectir a atenção continuadas dada aos nossos estados íntimos. É esta consciência das emoções, a competência emocional básica sobre a qual todas as outras se constróem. (Goleman,1995)

      Autoconsciência é, segundo Mayer (1993, cit. Goleman, 1995) ” ter consciência tanto do nosso estado de espirito como dos nossos pensamentos a respeito desse estado de espirito”. Os pensamentos típicos que denunciam a autoconsciência emocional incluem “ Não devia sentir-me assim”, “ Estou a pensar em coisas agradáveis para me animar”. (pág.67)

Mayer (1995, cit. Goleman, 1995) pensa que as pessoas se distribuem por três grupos principais na maneira de enfrentar e lidar com as próprias emoções :

· Autoconscientes. Conscientes dos seus estados de espírito à medida que eles ocorrem

· Imersas. Deixam-se frequentemente avassalar pelas emoções e são incapazes de escapar-lhes, como se os seus estados de espirito assumissem o comando.

· Aceitantes. Embora as pessoas tenham consciência do que sentem, têm também tendência para aceitar os estados de espirito tais como lhe vêem e nada fazendo para modificá-los. (pág.68)

A autoconsciência é fundamental para a introspecção psicológica, pois é esta faculdade que a maior parte da psicoterapia tem como objectivo reforçar. A autoconsciência emocional é o material de base para o próximo componente fundamental da inteligência emocional: ser capaz de se libertar de um estado de espírito negativo.

O sentido do autodomínio, ser capaz de resistir às tempestades emocionais, em vez de ser “escravo das paixões”, é considerado uma virtude desde os tempos de Platão. Ser capaz de controlar as emoções que nos perturbam é a chave para o bem-estar emocional.

Os altos e baixos dão sabor à vida, porém precisam de ser equilibrados. Nos cálculos do coração, é a relação entre emoções positivas e negativas que determina o sentimento de bem-estar. (Goleman, 1995)

          Tal como há na mente um constante murmúrio de fundo de pensamentos, também existe uma presença permanente de emoções. De qualquer forma, tentar gerir as nossas emoções é um trabalho a tempo inteiro, pois grande parte do que fazemos é uma tentativa para controlar o nosso estado de espírito.

            O design do cérebro significa que muitas vezes temos pouco ou nenhum controlo sobre quando somos invadidos pela emoção ou sobre qual será essa emoção, contudo temos alguma coisa a dizer a respeito de quanto tempo essa emoção irá durar. Quando as emoções são muito intensas e perduram durante longo tempo, acabam por atingir os extremos, ou seja, ansiedade crónica, raiva incontrolável, depressão. De todos o estados de espírito a que procuramos escapar , a raiva parece ser  o mais intransigente, pois ao contrário da tristeza, a raiva dá energia, é excitante.

            O estado de espírito que as pessoas mais procuram se afastar é a tristeza. A melancolia é um tipo de abatimento que a pessoa pode enfrentar sozinha, mas apenas se tiver os recursos interiores. Aquilo que nos pode indicar se um estado de espírito deprimido irá persistir durante longo tempo, é o grau a que a pessoa rumina as suas desgraças. Pensar naquilo que nos deprime torna a depressão mais intensa e prolongada. É comum numa depressão preocuparmo-nos com o facto de nos sentirmos cansados, de termos tão pouca energia ou motivação e de produzirmos tão pouco. (Goleman,1995)

Segundo Susan Nolen- Hocksma, psicóloga de Stanford e que estudou o remoer dos deprimidos, refere que existem duas estratégias eficazes na terapia, Uma é aprender a confrontar os pensamentos perturbadores, questionar-lhes a validade e pensar em alternativas mais positivas e a outra estratégia é programar acontecimentos agradáveis e que proporcionem distracção, em que esta quebra a corrente dos pensamentos geradores de tristeza. As distracções mais eficazes são aquelas  que alteram o estado de espirito, como um acontecimento desportivo excitante, um filme divertido, um livro emocionante.

Segundo Diane Tice, uma psicóloga de Case Western Reserve University ,outra maneira eficaz de combater a depressão é ajudar os outros, entregar-se a qualquer espécie de trabalho voluntário.

No que respeita aos repressores, de inicio eram vistos como um bom exemplo da incapacidade para sentir emoções, mas o pensamento actual considera-os extremamente competentes na gestão das emoções. Tornaram-se de tal forma peritos em isolarem-se dos pensamentos negativos, que até parece não tomarem consciência da negatividade. Assim, em vez do termo repressores, seria mais adequado o termo imperturbáveis.

Daniel Weinberger, um psicólogo da Case Western Reserve University, mostra através de investigações, que embora estas pessoas possam parecer calmas e impassíveis, podem por vezes fervilhar de perturbações fisiológicas de que nem se apercebem. A implicação é que estas pessoas não fingem a sua falta de consciência; é o cérebro que lhes esconde essa informação

            A imperturbabilidade é uma espécie de negação optimista, uma dissociação positiva e, possivelmente, uma pista para os mecanismos neuronais que intervêm nos mais graves estados dissociativos que podem ocorrer, por exemplo, nas desordens ligadas ao stress pós-traumático. (Goleman, 1995)

            Segundo Goleman (1995), ser capaz de gerir as emoções das outras pessoas é o melhor da arte de gerir relacionamentos. Para manifestar um poder interpessoal, a criança tem primeiro de ter um auto-controlo, de ser capaz de dominar os seus sentimentos de ira ou desgosto, os seus impulsos e excitações. A sintonia com as exigências dos outros exige de nós próprios o mínimo de calma. Assim, gerir as emoções dos outros requer a maturação de outras duas habilidades emocionais, que são o auto-controlo e a empatia. É nesta base que as “aptidões pessoais” amadurecem. São estas as competências sociais que explicam o sucesso das relações que mantemos com os outros. Qualquer défice nesta área leva a pessoa a ter problemas com o  mundo social, bem como desastres interpessoais. Sendo assim, estas aptidões sociais, permitem-nos programar um encontro, ter bons relacionamentos íntimos, persuadir e influenciar, pôr os outros à vontade.

            Segundo Goleman (1995), o funcionamento da mente emocional é em larga medida determinado por estados específicos, ditado pelos sentimentos dominantes num dado momento. A forma como pensamos e agimos quando nos sentimos românticos é totalmente diferente de quando estamos furiosos ou tristes, isto porque na mecânica da emoção, cada sentimento tem o seu repertório diferente de pensamentos, reacções e até recordações.

O que nos indica se um destes repertórios está a funcionar é a memória selectiva. Parte da resposta da mente a uma situação emocional é reorganizar as recordações e as opções de acção, de maneira que as mais relevantes fiquem em primeiro lugar. Cada emoção tem a sua parte biológica característica, um padrão de alterações que modificam o corpo sempre que essa emoção ocorre e um conjunto único de sinais que o corpo emite quando está sob o seu domínio.

 

A Inteligência Emocional no Trabalho

 

No contexto empresarial e do trabalho, a empatia é a capacidade de entender o mundo interior emocional e vivencional de outras pessoas e é, por isso mesmo, a base da interacção com outras pessoas. A competência social, em contrapartida, está mais relacionada com o convívio externo entre as pessoas, o desenvolvimento social isento de atritos e o controlo das regras do jogo social.

Segundo Henry Ford ( Märtin, Boeck,1997) “ se há um segredo para o êxito, é o seguinte: entender o ponto de vista dos outros e ver as coisas com os seus olhos.”

            Quem pretender ter êxito tem de saber controlar com destreza as emoções: tanto as próprias como as de terceiros.

            As emoções positivas estimulam o êxito profissional: se nos entusiasma a tarefa que temos de realizar, o esforço desenvolvido no seu cumprimento parece-nos leve.

            Se sentimos prazer em estar no nosso posto de trabalho, porque os nossos companheiros nos são agradáveis, o nosso rendimento será maior. Pelo contrário, as emoções negativas cerceiam-nos: quando nos aborrecemos por culpa do chefe, temos dificuldade em nos concentrarmos no trabalho. Se temos medo de perder o emprego, sem nos darmos conta cometemos mais erros no dia de trabalho. ( Märtin, Boeck,1997)

            Quando os trabalhadores têm de recear constantemente pelo seu emprego, a sua capacidade de rendimento ressente-se. Quando uma pessoa tem medo, trabalha de forma contraída e preocupada: a quantidade de erros cometidos aumenta.

            A insegurança prejudica o ambiente geral nas empresas. ( Märtin, Boeck,1997).

Além de termos de saber controlar as nossas emoções como as de terceiros, e de ser necessário haver uma estabilidade a nível do emprego, para que o desempenho e a produtividade no trabalho seja melhor. É necessário também adquirirmos  competência emocional.

Com base nestes pressupostos, competência emocional (Goleman 2000) é uma capacidade adquirida, baseada na inteligência emocional, que resulta no desempenho destacado no trabalho. No centro desta competência encontram-se duas aptidões: a empatia, que envolve ler os sentimentos dos outros e habilidades sociais, que permitem lidar bem com esses sentimentos.

 

As competências de que se necessita para o êxito podem mudar à medida que se sobe na hierarquia. Na maioria das grandes organizações, os executivos mais graduados precisam de um grau maior de percepção política do que os gerentes de nível médio.

Para melhor compreender-mos a essência da competência emocional recorreremos à elaboração apresentada por Goleman (2000), que fala em dois tipos de molduras, a moldura de competência emocional  e a moldura de competência social.

A moldura de Competência Emocional consiste em:

Competência pessoal - estas competências determinam como lidamos connosco.

Autopercepção -  consiste em controlar os próprios estados interiores, preferências, recursos, dentro da autopercepção ainda encontramos a;

Ø      Percepção emocional: Reconhecer as próprias emoções

Ø      Auto-avaliação precisa: Conhecer os próprios pontos fortes e limitações

Ø      Auto-confiança: Certeza do próprio valor e capacidade

 Auto-regulação que consiste em:

Ø      Autocontrole: lidar com emoções perturbadoras e impulsos;

Ø      Merecer confiança: Manter padrões de honestidade e integridade.

Ø      Ser consciencioso: Assumir a responsabilidade pelo desempenho pessoal

Ø      Adaptabilidade: Flexibilidade para lidar com as mudanças

Ø      Inovação: Sentir-se à vontade, e aberto diante de novas ideias, enfoques e novas informações.

Motivações: Tendências emocionais que guiam ou facilitam o alcance das metas.

Ø      Vontade de realização: Esforçar-se para melhorar ou satisfazer um padrão de excelência

Ø      Dedicação: Alinhar-se com as metas do grupo ou organização

 

Ø      Iniciativa: Estar pronto para agir diante das oportunidades

Ø      Optimismo: Persistência na perseguição das metas e despeito de obstáculos e reservas.

Em relação à moldura de Competência Social:

Competência Social: Estas competências determinam a maneira como lidamos com relacionamentos.

Empatia: Percepção dos sentimentos, necessidades e preocupação dos demais.

Ø      Compreender os outros: Pressentir os sentimentos e perspectivas dos outros e assumir um interesse activo por suas preocupações.

Ø      Orientação para o serviço: Antever, reconhecer e satisfazer as necessidades dos clientes.

Ø      Desenvolver os outros: Pressentir as necessidades de desenvolvimento dos outros e melhorar sua habilitação

Ø      Busca da diversidade: Cultivar oportunidades através de diferentes tipos de pessoas.

Ø      Percepção política: Ler as correntes emocionais e os relacionamentos de poder de um grupo

            Aptidões Sociais: Aptidão natural para induzir nos outros as respostas desejáveis.

Ø      Influência: Implementar tácticas eficazes de persuasão

Ø      Comunicação: Emitir mensagens claras e convincentes

Ø      Liderança: Inspirar e guiar grupos e pessoas

Ø      Catalisador de mudanças: Iniciar ou administrar as mudanças

Ø      Gestão de conflitos: Negociar e solucionar desacordos

Ø      Formação de vínculos: Estimular os relacionamentos produtivos

Ø      Colaboração e cooperação: Trabalhar com outros, rumo a metas compartilhadas

Ø      Capacidade de equipe: Criar uma sinergia de grupo buscando atingir metas colectivas.

 

         Como vimos através desta síntese da estrutura das duas molduras propostas por Goleman (2000), é muito importante para obtermos êxito  no trabalho desenvolvermos um conjunto de competências, tanto a nível emocional como social, que nos permitam um boa adaptação ao local de trabalho, ao tipo de trabalho, às exigências propostas, assim como o relacionamento entre colegas. Só com a assimilação destas competências é que è possível atingir um nível de satisfação, produtividade e adaptação que nos levem ao sucesso pessoal e da empresa em que trabalhamos. Aumentando assim claramente os níveis de satisfação em relação ao trabalho desempenhado e em relação à organização (empresa).

 

A Inteligência Emocional na Saúde

 

Segunde Ballone (2000),do ponto de vista psicológico, existem emoções naturais e fisiológicas que aparecem em todas as pessoas com um importante substrato biológico. Elas podem ser a alegria, o medo, a ansiedade ou a raiva, entre outras. Essas emoções são agradáveis ou desagradáveis, nos mobilizam para a actividade e tomam parte na comunicação interpessoal. Portanto, essas emoções actuam como poderosos motivadores da conduta humana.

Não obstante, as emoções podem ter um importante papel no bem estar psicológico ou nos estados doentios. Portanto, as emoções influem sobre a saúde e sobre a doença através de suas propriedades motivacionais, pela capacidade de modificar as condutas saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, o descanso, etc., conduzindo muitas vezes para condutas não saudáveis, como o abuso do álcool, tabaco, sedentarismo, etc.

Ballone (2000, cit. Adib Jatene, 2000) refere que actualmente, os transtornos psicossomáticos ou psicofisiológicos, como algumas dores de cabeça, das costas, algumas arritmias cardíacas, certos tipos de hipertensão arterial, algumas moléstias digestivas, entre tantas outras doenças, podem ser produzidas por uma excessiva activação das respostas fisiológicas do órgão ou sistema que sofre a lesão ou disfunção (cardiovascular, respiratório, etc.). Seria uma espécie de disfunção do órgão ou do sistema orgânico por trabalhar em excesso por muito tempo.

A ansiedade apesar de ser considerada uma reacção emocional normal e que surge como resposta do organismo diante de determinadas situações, quando sua frequência, intensidade ou duração forem excessivas, falamos de ansiedade patológica. Psiquiatricamente a presença de forte estado ansioso, não somente pode ser a base dos denominados Transtornos de Ansiedade, mas também estar associada frequentemente à depressão (Ballone, 2000).

  Neste sentido poderemos afirmar que o percurso da emoção à lesão diz respeito às doenças com verdadeiro componente orgânico, detectável por exames clínicos e não à somatização ou conversão, que são os quadros onde existe a queixa mas não se encontram alterações orgânicas.

Clinicamente, uma ampla variedade de transtornos psicofisiológicos pode estar associada à ansiedade, entre eles os transtornos cardiovasculares, digestivos, as cefaleias, a síndrome pré-menstrual, a asma, transtornos dermatológicos, transtornos sexuais, a dependência química, os transtornos da alimentação, debilidade do sistema imunológico etc.

As classificações tradicionais dos transtornos psicofisiológicos descrevem as seguintes doenças relacionadas com variáveis psicológicas (Ballone, 2000). 

ALGUMAS DOENÇAS PSICOFISIOLÓGICAS

Transtornos cardiovasculares

enfermidade coronariana, hipertensão arterial, arritmias

Transtornos respiratórios

asma brônquica, síndrome de hiperventilação, rinite alérgica

Transtornos endócrinos

hiper ou hipotiroidismo, doença de Addison, Síndrome de Cushing, alterações das glândulas paratireóides, hipoglicemia, diabetes

Transtornos gastrintestinais

transtornos esofágicos, dispepsia, úlcera péptica, síndrome do cólon irritável, colite ulcerosa, Doença de Crohn

Transtornos dermatológicos

prurido, hiperhidrose, urticária, dermatite atópica, alopecia areata, psoríase, herpes, vitiligo

Dor crónica

lombalgias, cefaleias, dor pré-menstrual, fibromialgia

Reumatologia

artrite reumatóide

Transtornos imunológicos

lúpus, depressão imunológica inespecífica

 

Mas, com o crescente reconhecimento da implicação de factores psicológicos ou emocionais no desencadeamento e/ou agravamento da maioria das enfermidades orgânicas, as tabelas como acima acabam perdendo totalmente o valor. Quanto mais avançam os meios de investigação da patologia, mais se evidencia relevância dos factores psicológicos na etiologia e desenvolvimento de um grande número de doenças até então não consideradas como psicofisiológicas.

Esses transtornos englobam desde doenças neurológicas, como a Esclerose Múltipla, até enfermidades infecciosas, como a tuberculose, enfermidades imunológicas,  como a leucemia (2000, cit. Wittkower e Dudek, 1973).

Desta forma, em muito pouco tempo, ao se descreverem os transtornos psicofisiológicos, não mais se fará referência a um determinado grupo distinto de enfermidades (como na tabela acima), mas sim às alterações físicas que são precipitadas, agravadas o prolongadas por factores psicológicos. A psicossomática preocupar-se-á com as diversas categorias de reacções orgânicas, utilizando-as para compreender qualquer transtorno físico nos quais os factores psicológicos sejam importantes. Por exemplo, no caso do Lúpus Eritematoso Sistémico, a psicossomática estará preocupada em estudar as alterações das emoções sobre a imunidade, sobre os linfócitos T, ou sobre as imunoglobulinas. Se, daí em diante, aparecerá Lúpus ou Artrite Reumatóide não será mais tão importante (Ballone, 2000).

Concluindo as pessoas reagem diferentemente ao stress, inclusive em termos de eventuais doenças psicossomáticas. Ao estudarmos o Afecto, entendemos que parece haver uma espécie de filtro (exemplificados como lentes de óculos hipotéticos) através do qual os factos e eventos são percebidos pelo indivíduo. Isto faria distinguir situações percebidas como stressantes por alguns e não por outros.

Essa sensibilidade pessoal (IE) diante da vida exerce um efeito atenuante ou agravante aos eventos, efeito este que depende mais da própria personalidade que das circunstâncias. Isso definirá o modo de ser, de reagir, de enfrentar e de se adaptar ao stress e a forma como a pessoa encara a sua própria saúde ou doença.

Nota - Para ver os anexos referidos no trabalho vá aos links no final da bibliografia. 

Bibliografia:

Märtin, D. & Boeck, K. (1997). Q E- O que é a Inteligência Emocional. Lisboa: Editora Pergaminho, Lda

Lewis, M & Havinland, Jones, J. (2000). Handbook of Emotions. (2ª edição) New York: The Guilford Press

Veríssimo, R. (2000). Da (Não) Expressão na Saúde e na Doença. Porto: Edição do autor

Goleman, D. (2000).Inteligência Emocional  (Mário Dias Correia). Lisboa: (1995).

Damásio, A. (2000). O Sentimento de Si: O corpo, a emoção e a neurobiologia da conciência. Mem Martins: Publicações Europa América.

Pesquisa na Internet:

8                 Amaral, J. Oliveira, J. (1998). Sistema Límbico; O Centro das Emoções. Revista Electrónica de Neurociências, Número 5; http://www.epub.org.br/cm/  (Brasileira) 

8                 Navas, J. M, Bozal, M.R (&) (etc). (2000). Cuando los Constructos Psicológicos Escapan del Método Científico: el caso de la inteligencia emocional y sus implicaciones en la validación y evaluation. Revista Electrónica de Motivação e Emoção, volume 3, número 4; http://reme.uji.es/articulos/amestj1961605100/texto.html (Espanhola)

8                 Ballone, G. (2000). Da Emoção à Lesão, Ansiedade, Tristeza e Raiva, Complicações na Saúde. Psiqweb; http://sites.uol.com.br/gballone/psicossomatica/raiva.html (Brasileira)

8                 Simões, J.(2000). Iteligência, Q.I e Testes; http://planeta.clix.pt/cpsimoes/perfect.html (Portuguesa)

8                 Velasco, L. (2000). Inteligência Emocional; http://www.emocionol.com/ (Argentina)

8                 Whole Brain Atlas; http://www.med.harvard.edu/AANLIB/home.html (E.U.A)  

 

Índice de anexos:

Ver anexos de Imagens (neurológicas)

Ver anexo Teste de Capacidades e Debilidades em Inteligência Emocional

Ver anexo Teste - Inteligência Intrapessoal

Ver anexo  Teste - Inteligência Interpessoal  

 

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PARA DÚVIDAS - Contacto:

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[1] Ver anexo -1

[2] Ver anexo -1

[3] ver anexo - 2

[4] ver anexo - 2

[5] Ver anexo - 2

[6] Ver anexo - 2

[7] Ver anexo - 2

[8] ver anexo -3

[9] ver anexo -3