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O  DIVà DA  PEDRA

OU

AS  RESISTÊNCIAS  DO  OUTRO

 

por  Gletson Aguiar Martins

uebemeio @bol.com.br

        "...Todos estavam "armados até os dentes" para assistir à reunião..."

 

  As hipóteses que a psicanálise postulou para  compreender os fenômenos da vida psíquica , sob o prisma do inconsciente, permitiram , ao despertar do século XX, uma mudança radical na maneira como a sociedade encarava  as atitudes do homem .

  Freud  desmascarou "as faces" dos costumes de então. Iniciam-se as primeiras resistências : a dos cientistas da época e a da sociedade em geral. Por outro lado, estabeleceu premissas em que tais mecanismos - repressão, resistência e transferência seriam pedras angulares dessa nova ciência.

  O outro sobre o divã é fruto desencadeado de uma sociedade  que se constrói  às custas  de violar as mais poderosas resistências... É sobre o divã que o outro se esquiva, silencia, tropeça no vocábulo, omite a verdade. Aqui também há essa guerra , mas uma batalha entre o que se formou ao longo de uma existência e o que se pode propor para tornar consciente essa luta.

  As resistências evidenciam todo um complexo jogo de inter-relações , sendo o manejo da  transferência o veículo capaz de proporcionar  a quebra da rocha, o fim daquilo que vai se tornar um novo mundo:

 

"...não sei como ficará minha cabeça nessa situação..." ( C )

"vejo que o problema é sua cabeça !" ( P )

"...(silêncio)..." ( C )

"...mi-minha cabeça  ?" ( C )

 

O combate entre as forças psíquicas inconscientes principiam a partir do momento em que  estas são expostas ,  causando  um choque naquele que as percebe. No diálogo acima, a interferência do elemento P no discurso de C causa uma ruptura que ao mesmo tempo é um esfacelamento proposto pelo P para forçar vir à tona novos indícios na trajetória da análise.

  Freud sustentou a importância das reações inconscientes diante de fatos que ameaçassem uma determinada realidade, uma realidade vivida de forma traumática . As resistências formariam um muro entre o regresso ao fato e o presente. Esse obstáculo , naturalmente, causaria desconforto à medida que impedisse a solução do conflito psíquico.

  As resistências também  surgem naquele que conduz a análise. O divã se transforma em pedra, todavia, pedra que deve se estilhaçar para dar passagem à destruição daquilo que reprime...A consciência desse(s) hiato(s) contribuem para enriquecer e progredir na análise.

  O divã é o leito da pedra , é o local onde a dureza cede ao movimento flexível e ritmado da água. A conquista do inconsciente depende da  teoria e da prática que se fazem presentes diante de um discurso que é sintoma, que é uma tradução fiel da dor psíquica.

 

  Copyright © 2001/2003 Psicoforum -  Gletson Martins